O gigante acordou

Estes últimos dias tem sido de grande valor e motivo de orgulho para a grande maioria do povo brasileiro. A emoção está por todos os cantos, todos estão se unindo e lutando pela conquista de seus direitos e ideais. Queremos deixar um texto da queridíssima Patrícia Lima, editora da revista Catarina falando sobre essa mudança de atitude do país e o que ela gera à moda. Ainda não sabemos onde tudo isso vai chegar, mas podemos dizer que finalmente o país acordou, e está lutando por tudo o que sempre quis.

“Estamos vendo a ruína da moda – criativa – brasileira diante dos nossos olhos. Passivos e atônitos. Não adianta dizer que o Brasil está na moda e que a criatividade brasileira é nossa maior trunfo, porque não é. Pelo menos, na prática, não é. Vemos nossas marcas e estilistas sofrendo para manter suas criações no mercado, nossos melhores criadores abrem mão de suas ideias pela dificuldade tributária e trabalhista. Esse mesmo Brasil que sofre com a precariedade na educação, é o mesmo país que vê um dos segmentos que mais cria vagas de empregos, ir à falência sem fazer nada para ajudar. É a soma de questões práticas e ideológicas que fazem falta para o fortalecimento da moda. Vemos a crise da nossa identidade crescer a ponto de ser reconhecida internacionalmente pelo momento de dificuldade em que nos encontramos. Se você não concorda ou duvida, leia esse artigo do Business of Fashion, intitulado “Brazilian Fashion’s Identity Crisis” e você entenderá a que estou me referindo (sugiro que leiam mesmo esse artigo). Nossa apatia diante da falta de identidade nacional, afeta diretamente nossa criatividade. Vendo isso não aguentei tanta passividade  e algum tempo atrás resolvi sair da zona de conforto e decidi realizar o Sul Fashion Week, aqui em Floripa, porque queria trazer para nossa região “respiros” de criatividade e incentivo para aqueles que precisam de visibilidade para seguir em frente então construirmos juntos um novo cenário. Parei após duas edições e optei em não seguir em frente quando percebi que grande parte dos profissionais, que poderiam se envolver para fortalecer esse cenário, queriam tudo pronto em suas mãos, sem lutar e buscar seus desejos criativos, dessa maneira o evento rapidamente foi adotado pelas marcas comerciais e sua força financeira, voltadas para o desenvolvimento de produto sem valor agregado e sem criatividade. Mesmo vendo o evento se tornar mais lucrativo, não aceitei que o meu projeto fosse deturpado e perdesse seu foco ideológico dando espaço ao comercial e sem personalidade. Hoje vejo nossa região repleta de eventos fracos (exceto o SCMC que segue firme com suas ideologias), sem objetivos criativos, acreditando que o que estão expondo é o melhor que podemos produzir. Não, não é, tenho certeza de que podemos ser bem melhores do que tudo isso. Volto a assumir qualquer projeto novamente, até mesmo o SFW, se eu perceber que há vontade da massa critica em mudar esse cenário. Tudo o que precisamos é deixar a passividade de lado, nos unir e brigar pelos valores que acreditamos.

A situação da moda nacional é reflexo desse mesmo Brasil que deixa nossas crianças sem uma educação decente, que abre mão da nossa personalidade criativa em troca de produtos importados. E esse mesmo Governo que incentiva a política do pão e circo, investindo bilhões em estádios, fecha os olhos para os apelos do empresários têxteis que imploram por melhores condições tributárias. O comodismo estraga toda e qualquer possibilidade de crescimento, precisamos olhar para frente em busca de algo maior e melhor. Nossa sociedade cansou de virar vítima da circunstância, mas esquecemos que nós mesmos formamos essa tal sociedade e unidos temos força para reverter qualquer cenário negativo.”

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